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Laudos periciais esclarecem dinâmica dos fatos das mortes

Mesmo com depoimentos divergentes acerca da abordagem, o fato se consumou no matagal, e não houve muitos disparos, pois Gilson Sílvio Alves corria para o matagal e devido à distância entre os policiais e a vítima. Dificilmente ele não seria atingido por um tiro e se tivesse caído poderia ter sido contido pelo investigador Maxwell José Pereira.

O laudo de necropsia não traz nenhum orifício de entrada na região de trás da vítima, Gilson Sílvio Alves. Os orifícios de entrada dos projéteis de arma de fogo no corpo de Gilson ficaram concentrados em sua parte direita. Conforme conclusão do laudo de local de crime, ele foi atingido no mesmo local encontrado pelos peritos, ou seja, ao solo, naquela posição, justificado pelo escorrimento do sangue oriundo dos orifícios de entrada dos projéteis, confirmando relato do investigador Maxwell, que “eles estavam ao solo quando Edson Leite efetuou os disparos”. Dos três projeteis retirados do corpo da vítima, dois deles saíram da arma de Edson Leite e um da pistola de Maxwell.

O relato que os três policiais teriam atirado em Gilson, quando ele já estava no chão, também não foi confirmado no laudo pericial. Porém, o laudo de lesão corporal de Maxwell indica que ele também caiu ao solo, pois apresentava escoriações características pelo corpo, assim como tinha lesão no joelho esquerdo, referente ao disparo de arma de fogo que ele sofreu enquanto estava caído, tentando tomar a arma da mão de Gilson.

O laudo de necropsia no corpo de Edson Leite indicou que os disparos sofridos foram efetuados de baixo para cima. Gilson teria conseguido se soltar das mãos de Maxwell e atirado em Edson Leite, conforme contou o investigador Maxwell, “não havendo outra forma de saber, além do relato do próprio Maxwel, se os disparos que atingiram Edson Leite foram efetuados por Gilson intencionalmente ou se disparado acidentalmente enquanto disputavam a pistola que estava na mão de Gilson”, diz o relatório.

O exame residuográfico das mãos da vítima Gilson Silvio Alves deu resultado negativo para presença de chumbo e nitrito. O exame serve de prova de orientação e não de certeza. Por isso, a delegada Sílvia Pauluzi solicitou exame complementar para respostas de quesitos específicos, como a possibilidade de uma pessoa efetuar disparos de arma de fogo e mesmo assim apresentar resultado negativo. O laudo do exame concluiu que “existem fatores que podem resultar em um ‘falso negativo’, assim, como existe o ‘falso positivo’”, reafirmando que o exame serve como prova de orientação e não de certeza. “Assim uma pessoa pode efetuar disparos com resultado de exame residuográfico negativo, assim, como não efetuar e apresentar resultado positivo”.

Edson Leite foi atingido com dois disparos, um na região esquerda do abdômen e outro entrou pelo terço superior da coxa e saiu na região glútea. Também ficou confirmado que todos os estojos e projeteis recolhidos no local de crime, nenhum deles foi expelido pela arma do investigador João Osni.

O investigador Edson Leite não foi a óbito em virtude dos disparos que o atingiram, mas em decorrência do acidente automobilístico, quando era socorrido no Golf preto do policial civil João Osni, que teve esmagamento de crânio em virtude do impacto, no muro de uma residência, na avenida Filinto Muller, bairro Jardim Marajoara, Várzea Grande.

O inquérito que apurou o acidente de carro que resultou na morte dos investigadores tramita na Delegacia Distrital do Jardim Glória, em Várzea Grande, que ainda aguarda laudo do local do acidente para enviar o inquérito à Justiça.

Autor: Secom/MT
Data: 21/03/2012